O Relatório Monitor de Minas Terrestres
2005 revela que o Tratado de Erradicação das Minas Terrestres
e o movimento pelo banimento das minas continua a obter bons progressos no
caminho à erradicação das minas antipessoal, salvando vidas
e membros em todas as regiões do planeta. Todavia, desafios
significativos persistem.
Esta edição do relatório Monitor de Minas Terrestres
detalha os progressos e os desafios restantes em mais de 100 países,
incluindo todos os países mais afetados e aqueles com estoques
substanciais de minas antipessoal e os estados que ainda não aderiram ao
Tratado de Erradicação das Minas Terrestres. O
Relatório Monitor de Minas Terrestres 2005 prove uma
atualização anual ao Relatório Monitor de Minas
Terrestres 2004, no qual se incluiu uma revisão dos progressos do
período de 1999 até 2004, incluindo todos os países do
mundo.
O período informado para o Relatório Monitor de Minas
Terrestres 2005 é maio de 2004 até maio de 2005. Os editores,
quando possível, incorporaram informações importantes
recebidas de junho a setembro de 2005. As estatísticas das
ações contra as minas terrestres e as vítimas de minas
terrestres são comumente relativas ao calendário de 2004, em
comparação a 2003.
Aumento da rejeição internacional das minas antipessoal
Até 30 de setembro
de 2005, 147 países eram Estados-Partes do Tratado de
Erradicação das Minas, e outros sete haviam assinado mas ainda
não ratificado, constituindo bem mais de três quartos das
nações do mundo. Desde o último relatório do Monitor
de Minas Terrestres, quatro países aderiram ao tratado, incluindo a
Etiópia, que é afetada por minas e onde há uso
substancial de minas num passado recente, assim como Butão, Latvia e
Vanuatu.
Adicionalmente:
Mais vários governos se alinharam a ratificar ou aderir, incluindo a
Ucrânia,
Muitos outros Estados não-Partes do Tratado de
Erradicação das Minas Terrestres realizaram passos consistentes ao
Tratado,
Um ampliado número de grupos armadas não-estatais se
submeteram ao banimento das minas antipessoal.
É evidente
que uma nova norma internacional está emergindo.
Primeira Conferência de Exame
O marco da Primeira Conferência de Exame do Tratado de
Erradicação das Minas, também conhecido como "Cúpula
de Nairobi por um Mundo Livre de Minas”, realizado no Quênia de 29
de novembro a 3 de dezembro de 2004, foi a maior reunião sobre minas
terrestres e a de mais alto nível realizada desde a abertura para as
assinaturas do Tratado de Erradicação das Minas em Ottawa, no
Canadá, em 3 de dezembro de 1997. O encontro demonstrou um continuo
fortalecimento e vitalidade do movimento pela erradicação das
minas, e o compromisso de longo prazo dos governos e das ONGs para resolver o
problema das minas terrestres. Os Estados-Partes acordaram em adotar o Plano de
Ação de Nairobi que vai guiar os esforços para os
próximos cinco anos.
Desafios da Universalização
Quarenta países,
com um total de mais de 160 milhões de minas antipessoal estocadas,
continuam fora do Tratado de Erradicação das Minas. Incluindo
três dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU
(China, Rússia e Estados Unidos), a maioria do Oriente Médio, a
maioria das repúblicas da ex-União Soviética, e muitos
países da Ásia.
A não utilização de minas antipessoal por
Estados-Partes e Signatários
Não há
evidências, ou mesmo alegações, de uso de minas antipessoal
por Estados-Partes ou Signatários do Tratado de Erradicação
das Minas. Isto é notável por que muitos Estados-Partes
utilizaram minas antipessoal num passado recente depois de se tornarem
Estados-Partes, incluindo ambos signatários e
não-signatários do Tratado.
O uso de minas por quatro governos continua
No período do
informe, pelo menos três governos continuam a usar minas antipessoal:
Myanmar (Burma), Nepal e Rússia. Também há
evidências de que a Geórgia utilizou minas antipessoal em
2004, todavia o governo nega.
Grupos armados não-estatais continuam a usar minas
antipessoal
Há informes sobre
o uso de minas antipessoal por grupos de oposição em pelo menos 13
países (comparados a 16 em 2003, 11 em 2002 e 14 em 2001): Burma,
Burundi, Colômbia, Geórgia, Índia, Iraque, Nepal,
Paquistão, Filipinas, Rússia (incluindo Chechênia, Dagestan
e Ossetia do Norte), Somália, Turquia e Uganda. Não confirmado,
em pequena escala, informes de uso em outros quatro países:
Afeganistão, Egito, Sri Lanka e Iêmen.
Foi agregado a este período de monitoramento o Paquistão,
onde o uso por parte dos rebeldes foi intensificado. Não houve
relatórios de uso por parte de atores não-estatais no
Butão, Bolívia, RD Congo e Peru, e estes países foram
removidos da lista.
Redução na produção
Pelo menos 38
nações cessaram a produção de minas antipessoal,
incluindo 33 Estados-Partes do Tratado de Erradicação das Minas
Terrestres e cinco Estados não-Partes (Egito, Finlândia, Iraque,
Israel e Polônia). Egito e Iraque foram excluídos da
lista dos produtores este ano, pois o Egito formalmente afirmou na Primeira
Conferência de Exame que tem uma moratória na
produção, e o Iraque confirmou que seus meios de
produção foram destruídos em 2003 por um bombardeio da
Coalizão.
Produção em andamento
O Monitor de Minas
Terrestres identificou 13 países como produtores de minas antipessoal,
estando atualmente produzindo ou tendo se reservado ao direito de produzir no
futuro: Burma, China, Cuba, Índia, Irã, Coréia do Norte,
Coréia do Sul, Nepal, Paquistão, Rússia, Singapura, Estados
Unidos e Vietnã.
Banimento no comércio de minas antipessoal de facto
O comércio
mundial de minas antipessoal foi encolhido a um nível muito baixo ao
tráfico ilícito e comércio não-reconhecido.
Não houve confirmações de transferências de minas
antipessoal, assim como o banimento de facto do comércio global
continua assegurado.
Milhões de minas antipessoal armazenadas foram destruídas
Em torno de 400.000
minas antipessoal armazenadas foram destruídas por Estados-Partes desde o
último relatório do Monitor de Minas Terrestres, com Estados
não-Partes incluindo China que destruiu quantidades adicionais. Neste
período do informe, seis Estados-Partes completaram a
destruição de suas minas em estoque: Bangladesh,
Colômbia, Mauritânia, Tanzânia, Uruguai e
Zâmbia. Sessenta e nove Estados-Partes completaram a
destruição. Adicionalmente, espera-se que Guiné Bissau
finalize a destruição em outubro de 2005, e a Algéria em
novembro de 2005.
Os Estados-Partes coletivamente destruíram mais de 38,3
milhões de minas antipessoal.
Milhões de minas armazenadas por Estados não-Partes
Estima-se que os
signatários ao Tratado de Erradicação das Minas Terrestres
armazenem sete milhões de minas antipessoal, a maioria por parte da
Ucrânia (5,95 milhões) e Polônia (996.860).
O Monitor de Minas Terrestres estima que não-signatários
tenham em estoque mais de 160 milhões de minas antipessoal, a maioria
guardado por apenas seis estados: China (est. 110 milhões),
Rússia (26,5 milhões), EUA (10,4 milhões),
Paquistão (est. 6 milhões), Índia (est. 4-5
milhões) e Coréia do Sul (2 milhões). A
Rússia revelou o total do seu estoque pela primeira vez.
Mais minas retidas para treinamento e desenvolvimento
Mais de 248.000 minas antipessoal estão retidas por 74 dos 147
Estados-Partes, sob a reserva de exceção do artigo 3º do
tratado. No período do relatório, Burundi, Sérvia e
Montenegro, Sudão e Turquia aderiram ao grupo. Cinco Estados-Partes
respondem por aproximadamente um terço das minas retidas: Brasil,
Algéria, Bangladesh, Suécia e Turquia. Pelo menos 64
Estados-Partes optaram por não reter nenhuma mina.
Informes de transparência
O cumprimento dos
Estados-Partes ao requerimento do tratado em submeter o informe inicial de
transparência aumentou para 96 por cento em 2004 (91 por cento em 2003),
mas até 30 de setembro de 2005 seis Estados-Partes ainda não
haviam entregue seus informes iniciais do artigo 7º.
O cumprimento à obrigação de apresentar uma
atualização do informe anual foi pior em 2004 (65 por cento) do
que em 2003 (78 por cento).
Estados não-Parte, como Sri Lanka, apresentaram
voluntariamente o relatório de transparência, em junho de 2005,
juntando-se a Bielorrússia, Camarões, Gâmbia,
Lituânia, Latvia, Polônia e Ucrânia que também
apresentaram relatórios voluntários como Estados
não-Partes. Em outro bem-vindo desenvolvimento, muitos outros Estados
não-Partes manifestaram sua intenção de prover
relatórios voluntários.
Ainda muitos países afetados por minas
A pesquisa do Monitor de
Minas Terrestres identificou pelo menos 84 países, e oito áreas
não reconhecidas internacionalmente como estados independentes, que
são afetadas em algum nível por minas terrestres ou explosivos
não-detonados (UXOs), dos quais 54 são Estados-Partes do Tratado
de Erradicação das Minas Terrestres.
Expansão dos programas de ação contra minas
Em 2004, bem mais de 135
quilômetros quadrados de terrenos minados foram limpos em 37 países
e áreas. Em adição a mais de 170 quilômetros
quadrados afetados por UXOs que foram limpos de áreas de batalha. O
Afeganistão limpou a área maior de terrenos minados (33,3
quilômetros quadrados), seguidos do Camboja (32 quilômetros
quadrados). Mais de cinco quilômetros quadrados de terras minadas
também foram limpas em 2004 em: Angola, Croácia,
Etiópia, Iraque, Moçambique e Polônia.
Atendendo aos prazos do artigo 5 na conclusão da desminagem
Apenas três Estados-Partes (Costa Rica, Djibuti e Honduras) informaram
a conclusão limpeza das áreas minadas até dezembro de 2004;
Djibuti declarou a si a salvo de minas ao invés de livre de minas.
Alguns Estados-Partes aparentemente não estão no caminho de
atenderem os prazos do artigo 5, incluindo oito dos 14 Estados-Partes prazos
desde 1999-Bósnia e Herzegovina, Chade, Croácia,
Dinamarca, Níger, Suazilândia, Tâilânda e o
Reino Unido – assim como o Camboja com o prazo até 1º de
março de 2010.
A ampliação da educação sobre o risco de minas mas
em menos países
Os programas de Educação sobre o risco de Minas foram
expandidos em muitos países, e se tornaram mais integrados à
desminagem e outras atividades do campo da ação contra minas. Mas
o Monitor de Minas Terrestres registrou Educação sobre o risco de
Minas em 61 países e seis áreas em 2004-2005; 41 dos países
são Estados-Partes, e 20 não são parte do Tratado de
Erradicação das Minas Terrestres.
Vítimas em menos países
Em 2004-2005, houve
novas vítimas de minas terrestres e UXOs registradas em 58 países
(oito a menos do que o registrado no ano anterior) e em oito áreas (uma a
mais). Neste período de monitoramento, vítimas foram registradas
em quatro "novos" países-Bielorrússia, Djibuti, El
Salvador e Venezuela-e em Taiwan, nenhum dos quais haviam sido
registradas vítimas no ano anterior. Doze países que registraram
vítima de minas/UXOs anteriormente não o fizeram em 2004-2005:
Bolívia, Chile, Indonésia, Quênia, Quirguistão,
Libéria, FYR Macedônia, Maláui, Namíbia,
Níger, Peru e Ucrânia.
Novas vítimas significa mais sobreviventes precisando de
assistência
O número de novas
vítimas de minas/UXOs declinou significativamente em alguns países
duramente afetados por minas. O Monitor de Minas Terrestres estima, de acordo
com a gama de registros confiáveis e coletados, que há entre
15.000 e 20.000 novas vítimas de minas/UXOs a cada ano. Mas o fato
importante é que o número de novos sobreviventes continua a
crescer, e a assistência necessária aos sobreviventes em muitos
países é inadequada.
Vinte e quatro Estados-Partes foram identificados como tendo um
número significativo de sobreviventes: Afeganistão,
Albânia, Angola, Bósnia e Herzegovina, Burundi, Camboja, Chade,
Colômbia, Croácia, República Democrática do Congo, El
Salvador, Eritréa, Etiópia, Guiné-Bissau,
Moçambique, Nicarágua, Peru, Senegal, Sérvia e Montenegro,
Sudão, Tadjiquistão, Tailândia, Uganda e
Iêmen. Neste período de monitoramento houve novas
vítimas de minas/UXOs em todos estes países, com
exceção do Peru. Na Primeira Conferência de Exame, ficou
reconhecido que todos estados têm responsabilidades com os sobreviventes
de minas.
Doações à ação contra minas continuam a
aumentar
Os fundos internacionais
para a ação contra minas totalizaram US$399 milhões em
2004, mais em relação a $339 milhões em 2003 e $324
milhões em 2002, todavia muito deste aumento e deu em razão
à desvalorização do dólar estadunidense. Os quatro
maiores doadores foram Estados Unidos ($96,5 milhões),
Comissão Européia ($71,4 milhões), Japão
($42,8 milhões) e Noruega ($34,3 milhões). O maior
aumento veio do Japão (mais de $29,8 milhões), os EUA (mais $15,9
milhões), os Países Baixos (mais $7,9 milhões) e a Noruega
(mais $5,76 milhões). A Comissão Européia aumentou em $6,9
milhões, devido especialmente às variações do
câmbio – houve apenas aumentos em euros.
Dos 20 maiores doadores, metade proveu mais fundos à
ação contra minas em 2004: Áustria, Dinamarca,
Comissão Européia, Japão, Irlanda, Nova Zelândia, os
Países Baixos, Suíça, Noruega e os EUA.
Diminuição de doadores ao financiamento à
ação contra minas
Dos 20 maiores doadores,
metade proveu menos financiamento à ação contra
minas em 2004: Austrália, Canadá, Bélgica, Finlândia,
França, Alemanha, Grécia, Itália, Suécia e Reino
Unido.
Mais Financiamento Nacional dos Países Afetados
Alguns países
afetados por minas investiram mais recursos nacionais na ação
contra minas em 2004, incluindo a Croácia ($30,4 milhões),
Bósnia e Herzegovina ($9,8 milhões), Moçambique
($7,9 milhões), Etiópia ($4 milhões) e
Iêmen ($3,5 milhões).
Receptores de financiamento para Ação Contra Minas
Países recebendo a maior parte dos financiamentos para
ação contra minas em 2004 foram Afeganistão ($91,8
milhões), Iraque ($58,7 milhões), Camboja ($41,6
milhões) e Angola ($28 milhões), Sri Lanka ($23,6
milhões), Bósnia e Herzegovina ($18,8 milhões) e
Sudão ($15 milhões). Pelo menos outros 24 países e
áreas afetados receberam mais de $1 milhão em financiamento para
ação contra minas em 2004.
Aumento no financiamento à ação contra minas
foi recebido pelo Camboja (mais $24,6 milhões), Afeganistão (mais
$16,6 milhões), Bósnia e Herzegovina (mais $8,4 milhões),
Sri Lanka (mais $7,8 milhões), Sudão (mais $5,5 milhões),
Iraque (mais $3,7 milhões), Angola (mais $2,.7 milhões); aumentos
maiores que $1 milhão foram recebidos pela Croácia,
Jordânia, Laos, Somalilândia e Vietnã.
Diminuições foram experimentadas em
Moçambique ($3,3 milhões a menos), Eritréa ($2
milhões a menos), Azerbaijão ($2,1 milhões a menos) e
Nicarágua ($1,3 milhões a menos).